Abrindo a caixa de Maia e Mia

Maia e Mia chegaram a este mundo em 2015, em uma oficina de narrativas da Lúcia Hiratsuka. A menina Maia e a gata Mia, são pura treta… adoram brincar com caixas, mas cada uma tem sua preferência no faz-de-conta. E, nesse cenário, nada é mais natural que as brincadeiras terminem em briga! O texto cheio de rimas da Debora Barbieri foi feito sob medida para um pedido da Lúcia: alguma situação que te toque de alguma maneira. E ganhou novos sentidos na ponta do lápis da Vanessa Prezoto, que participava da mesma oficina.

As brigas das duas personagens ganharam força em 2016 na mesa da oficina “Escrever para crianças”, do Peter O. Sagae, sob os olhares atentos do grupo que em pouco tempo viria a se tornar o coletivo BabaYaga. O processo de edição e produção foram longos. Muitos ajustes entre texto e esboços para que ambos ganhassem voz de forma equilibrada, como por exemplo, na dupla que aparece abaixo em duas versões:

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O processo de edição no caso de um coletivo pressupõe acolher opiniões e palpites de todos os leitores envolvidos no processo. O saber ouvir é a primeira habilidade de quem se aventura a produzir em grupo. O saber o que se quer é a segunda habilidade para conseguir manter-se fiel a essência da narrativa. É um processo nem sempre simples, mas bastante enriquecedor.

No início de 2018 a decisão foi iniciar o processo de finalização do trabalho para que ele seguisse sua viagem junto com o coletivo BabaYaga. Então o formato do livro foi decidido e a Vanessa começou a trabalhar na finalização das imagens. Foram quase vinte ilustrações em sequência, numa técnica que mistura colagem e lápis sobre papel. Foi um processo imersivo, que envolveu também resistência física: “haja costas e dedos para o estilete”, desabafou Vanessa que, ao final do trabalho, se viu transformada em Maia 🙂

A Vanessa também fez a digitalização e tratamento das imagens. Depois disso… fomos para a conclusão do projeto gráfico!

A tipografia foi escolhida pela clareza dos caracteres, para que ficasse mais confortável para o pequeno leitor. O desenho dos tipos também apresenta similaridade visual com o traço da ilustração, quase que se fundindo a ela em alguns momentos.

 

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Enfim, texto é imagem também! Ele foi visualmente trabalhado para reforçar algumas situações e ainda ajudar a entonação de voz em uma possível leitura em voz alta.

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Por fim, a capa! Claro que quando duas designers se juntam, essa seria uma grande preocupação. Não simplesmente pela dupla consciência da importância da capa de um livro, mas a ideia era que a capa convidasse o leitor a participar da brincadeira e também das brigas que permeiam a narrativa. O material da capa não poderia ser outro: o kraft, que se assemelha ao papelão das caixas. E o miolo do livro é abraçado uma… duas… três… quatro vezes pelas dobras do kraft, que se abre, claro, como uma caixa.

Designers preocupam-se com forma, mas também com função: será que essas dobras todas não ficarão incômodas para o manuseio? Mas a voz literária chega para rebater: o incômodo aparece na narrativa também, então nada mais divertido do que uma capa incômoda! E, por fim, o meio termo chega na opção pelos acabamentos: ao invés do ponto de contato entre capa e miolo ser na lombada, vai acontecer pela última página do livro, que ficará colada na capa e deixará a lombada livre, o que permitrá uma maior abertura, facilitando o manuseio.

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Era segredo? Ao abrir a caixa, nos deparamos com a costura aparente dos cadernos, revelando [um pouquinho 🙂 ] os truques do acabamento do livro.

Por fim… a arte imita a vida ou a vida imita a arte? Aristóteles ou Oscar Wilde? Por aqui acreditamos que os dois tenham razão. Quando a Lúcia pediu um texto com uma situação com que a Debora se sensibilizasse de alguma forma, ela logo pensou nas brincadeiras e brigas do filho Gabriel e do gato Fred sempre que tem uma caixa de papelão envolvida. E quando a Vanessa fez a ilustração de capa, ela nem imaginava que estava desenhando uma cena muito comum desse trio menino-caixa-gato… ou seria Maia-caixa-Mia?

 

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